Wednesday, March 6, 2019

Ópera "ALCESTE"

A ÓPERA "ALCESTE" Cantada no Teatro Nacional de São Carlos, 62 anos depois da sua última representação em 1957.

A grande novidade foi o papel da protagonista ter sido cantado, por um Soprano português ANA QUINTANS.
Esta ópera tem sido cantada por cantores mundialmente famosas, como a Maria Callas. Em Lisboa foi cantada por Inge Borkh, também famosa, especialmente em ópera alemã.
Ana Quintans espantou-nos e pôs o público a aplaudir de pé, entusiasticamente, pela sua maravilhosa interpretação! Cantando em todas as 5 récitas, chegou ao fim com a voz plena e em óptima forma, pois só com uma belíssima escola de canto, tal se pode conseguir.
O ponto culminante foi a ária, Divinités de Styx (Divindades do Estige), cantada muitas vezes em Concertos.
A encenação foi entregue a um encenador nosso bem conhecido, da Tetralogia de Wagner em São Carlos, Graham Vick. Recordo que as 4 Óperas de R. Wagner, tiveram uma encenação, inédita, pois foram cantadas no espaço da Plateia (retiradas as cadeiras), com o público sentado no Palco! Este encenador algo polémico e nem sempre do agrado de todos, deu-nos uma concepção desta Ópera clássica, com figurinos actuais, ciclerama à vista do público, cadeiras que foram sido trazidas pelos cantores (incluindo o coro), enfim num despojamento total. A direcção dos actores/Cantores, no entanto, teve a marca do teatro inglês (um dos melhores do mundo) com um gestual de acordo com a acção psicológica, belíssimo. De há anos para cá as encenações são conceptuais, passando-se em épocas diferentes, das próprias óperas, mas respeitando a partitura. Recordo-me de um "Werther" no n/ São Carlos, em que ao abrir o palco, ficámos de boca aberta, ao ver os cenários inspirados no pintor Eduard Hoper!
O público melómano, muitas vezes discorda, de tais anacronismos visuais, em Bayreuth, onde assistimos a durante 3 anos aos célebres Festivais de Wagner(Festspiel), quando o pano se fecha, ouvem-se os apupos e protestos do público, às encenações conceptuais e algo filosóficas, ao mesmo tempo outro sector do público aplaude delirantemente!
A Direcção Musical foi do Maestro Graeme Jenkins, que já dirigiu nas maiores casas de ópera mundiais. Foi brilhante e deu-nos uma excelente versão!
Quanto aos restantes cantores, salientamos um Tenor português que faz carreira internacional, o Fernando Guimarães. Os restantes cantores cumpriram bem.
O compositor da "Alceste" GLUCK-(1714-1787), compôs diversas Óperas, das mais conhecidas é o "Orfeu e Euridice", já cantada diversas vezes em São Carlos e a mais representada. Também salientamos "Iphigenia em Aulida" e Iphigenia em Taurida. tendo esta ópera sido cantada há 3 anos, no Teatro Nacional de São Carlos.


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