Friday, March 22, 2019

L'étoile: Trailer - De Nationale Opera | Dutch National Opera

A KÉKSZAKÁLLU HERCEG VÁRA- O CASTELO DO BARBA AZUL
de Béla Bartók
LA VOIX HUMAINE de Poulenc
                  DO TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS , no CCB

A encenação de Olga Roriz destas duas óperas, uma com cerca de 1 hora e a Voz Humana com 45 m, foram cantadas sem intervalo, como numa colagem das duas obras e mantendo o cenário.
As duas obras têm diversos níveis. O castelo do Barba Azul tem origem num conto de crianças escrito por Charles Perrault é cantada na língua original, em  húngaro, a Voz Humana, escrita por Jean Cocteau, esta com um facto mais dos n/ dias. e é em rances.
No entanto dada o drama e emoções terríveis, tragédias entre homem e mulher, são de todas as épocas da natureza humana!.
O ambiente é angustiante e opressivo, reflectindo uma grande solidão das personagens.
Logo de inicio as 2 personagens Judite e Barba Azul, aparecem cantando, do fundo do imenso palco do CCB, pouco audíveis, como se o som viesse de um Catedral. Aproximando-se dos espectadores, verificamos que a meio-soprano Allison Cook, nos fez dúvidas, ser meio-soprano, devido ao seu timbre e  extensão vocal. O seu comparsa o Baixo Barítono Marcell Bakonyi, de Budapeste, deu o tom sinistro do Barba Azul, algo de um psicopata.
Os cenários escuros e muito simples, não ajudaram muito o publico, a desfrutar, esta obra do século XX, já por si diferente da que o público melómano está habituado! Mas a necessidades económicas, possivelmente limitam, uns cenários menos abstractos e simbólicos.
Mal o último acorde da desta ópera terminou, segui-se a Voz Humana, demorando um lapso de tempo, a perceber a mudança.
Tratando-se de um monólogo, de uma amante ao telefone, tentando numa tristeza e angustias terríveis, convencer o amado a voltar. O soprano Alexandra Deshorties, de Montreal, colocando-se melhor à boca de cena, mostrou uma voz mais poderosa, quente e cheia de beleza interpretativa.
Nota-se no final os aplausos pouco efusivos, do público, salientando-se contudo, os bravos da n/ "Super Diva" Catarina Molder, presente que aplaudiu com entusiasmo, próprio de amantes de Ópera!
Temos de puxar pelo entusiasmo do público, como era habito dos anos de ouro, do São Carlos!!!
Nota: assisto em anos idos, a estas duas óperas, inesquecível a Voz Humana, com extraordinária Denise Duval ! Bravô, Bravô, Bravô !



Wednesday, March 6, 2019

Ópera "ALCESTE"

A ÓPERA "ALCESTE" Cantada no Teatro Nacional de São Carlos, 62 anos depois da sua última representação em 1957.

A grande novidade foi o papel da protagonista ter sido cantado, por um Soprano português ANA QUINTANS.
Esta ópera tem sido cantada por cantores mundialmente famosas, como a Maria Callas. Em Lisboa foi cantada por Inge Borkh, também famosa, especialmente em ópera alemã.
Ana Quintans espantou-nos e pôs o público a aplaudir de pé, entusiasticamente, pela sua maravilhosa interpretação! Cantando em todas as 5 récitas, chegou ao fim com a voz plena e em óptima forma, pois só com uma belíssima escola de canto, tal se pode conseguir.
O ponto culminante foi a ária, Divinités de Styx (Divindades do Estige), cantada muitas vezes em Concertos.
A encenação foi entregue a um encenador nosso bem conhecido, da Tetralogia de Wagner em São Carlos, Graham Vick. Recordo que as 4 Óperas de R. Wagner, tiveram uma encenação, inédita, pois foram cantadas no espaço da Plateia (retiradas as cadeiras), com o público sentado no Palco! Este encenador algo polémico e nem sempre do agrado de todos, deu-nos uma concepção desta Ópera clássica, com figurinos actuais, ciclerama à vista do público, cadeiras que foram sido trazidas pelos cantores (incluindo o coro), enfim num despojamento total. A direcção dos actores/Cantores, no entanto, teve a marca do teatro inglês (um dos melhores do mundo) com um gestual de acordo com a acção psicológica, belíssimo. De há anos para cá as encenações são conceptuais, passando-se em épocas diferentes, das próprias óperas, mas respeitando a partitura. Recordo-me de um "Werther" no n/ São Carlos, em que ao abrir o palco, ficámos de boca aberta, ao ver os cenários inspirados no pintor Eduard Hoper!
O público melómano, muitas vezes discorda, de tais anacronismos visuais, em Bayreuth, onde assistimos a durante 3 anos aos célebres Festivais de Wagner(Festspiel), quando o pano se fecha, ouvem-se os apupos e protestos do público, às encenações conceptuais e algo filosóficas, ao mesmo tempo outro sector do público aplaude delirantemente!
A Direcção Musical foi do Maestro Graeme Jenkins, que já dirigiu nas maiores casas de ópera mundiais. Foi brilhante e deu-nos uma excelente versão!
Quanto aos restantes cantores, salientamos um Tenor português que faz carreira internacional, o Fernando Guimarães. Os restantes cantores cumpriram bem.
O compositor da "Alceste" GLUCK-(1714-1787), compôs diversas Óperas, das mais conhecidas é o "Orfeu e Euridice", já cantada diversas vezes em São Carlos e a mais representada. Também salientamos "Iphigenia em Aulida" e Iphigenia em Taurida. tendo esta ópera sido cantada há 3 anos, no Teatro Nacional de São Carlos.


Ana Quintans