TRISTÃO E ISOLDA
Ópera em Três ActosO Teatro Nacional de S. Carlos, transferiu-se para o CCB-Centro Cultural de Belém, cujo auditório tem maior lotação, efectuando dois espectáculos, que equivalem o dobro de espectadores, aproximadamente.
A grande expectativa foi a estreia a cantar uma ópera de Wagner, em Lisboa do soprano português ELIZABETE MATOS ! Realmente trata-se de um feito heróico, pois cantar em alemão e decorar uma obra que dura cerca de 4 horas e isso o nosso soprano consegui-o, com brilho. Tendo cantado já várias óperas alemãs lá fora, parece que irá enveredar por este reportório.
Em Fevereiro de 1852, Richard Wagner, escreve de Zurique ao seu amigo Theodor Uhlig: "Fiz alguns conhecimentos... fixou aqui residência um comerciante jovem e rico, de nome Wesendonk. A mulher é muito graciosa e, depois de ter lido o prefácio que fiz aos meus três libretos de ópera, ficou entusiasmada comigo" Esta relação com Matilde Wesendonk (1828-1902), que para sempre haveria de ficar conhecida como a musa inspiradora de TRISTÃO E ISOLDA.
A estreia da ópera esteve no inicio planeada para Viena, na Ópera da Corte, em 1861. Mas este projecto foi entretanto gorado por motivo de doença do tenor. Só quatro anos mais tarde a obra viria a ter a estreia absoluta, já sob o apoio do rei Luís II da Baviera, seu admirador fervoroso!
Nesta nova produção do S. Carlos, teve a coprodução do CCB.
A encenação e cenografia foi de Charles Edwards, bastante sóbria, mas com grande incidência no desenho de luzes de Giuseppe Di Torio, com belos efeitos. A direcção musical de Graeme Jenkins, bastante segura e sonora, mas com momentos em que abafava as vozes.
Destacamos também, o rei Marke, cantado pelo Baixo islandês Brindley Sherratt, que nos deu e mostrou um verdadeiro cantor Wagneriano, com uma bela voz cheia de volume e presença.
As intervenções dos portugueses, foi notável, com um Luís Rodrigues poderoso e o tenor Marco Alves dos Santos, que vai progredindo com a sua bonita voz.
Enfim uma noite de triunfo com aplausos esfuziantes!
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