
UMA ÓPERA de COMPOSITOR PORTUGUÊS, CONTEMPORÂNEO,
NO TEATRO NACIONAL DE S. CARLOS!
A. Fernandes Lourenço
BANKSTERS
Ópera tragicómica em três actos em estreia absoluta, do compositor
Nuno Côrte-Real.
Com um "herói", um banqueiro (são sempre estranhas personagens), aqui Santiago Malpago, é visitado por uma personagem, anjo ou demónio, cuja missão é levá-lo à desgraça e desespero, é preso e logo abandonado e humilhado, por aqueles que o "engraxavam".
O barítono Jorge Vaz de Carvalho, interpretou com muita experiência, embora raramente cante no S.Carlos, actualmente. Gostaríamos de ter no papel talvez um baixo ou baixo-baritono, pois no final as notas são bastante graves e nem sempre o efeito foi conseguido.
Um jovem cantor que se destacou, foi o barítono Diogo Oliveira, com
belo timbre e sabendo tirar efeito dos focos acústicos do Teatro, daí
resultando um belo schillo e projecção de voz. Aliás este cantor tem
feito carreira lá fora.
Também o baixo Nuno Dias, embora num pequeno papel, tem evoluído, em técnica vocal, sobretudo depois das suas visitas à Alemanha.
Sara Braga Simões em Mimi Kitsch, a mulher, cantou com veemência,
embora um soprano de voz mais dramática fosse mais indicada.
Outros cantores contratados, creio que por cinco anos, pelo anterior
Director, tais como o tenor Musa Nkuna e soprano Chelsey Schill,
cumpriram e esperamos que brevemente partam para aliviar o orçamento do Teatro, que bem precisa!
Sendo portanto uma obra burlesca, cujo libreto seria melhor escrito
por outra pessoa de visão diferente da de Vasco Graça Moura,
inspirado na peça Jacob e o Anjo de José Régio. A musica do compositor
Nuno Côrte-Real (n.1971) tenta assumir um espirito de sátira e leve
acidez, embora a força motriz da Ópera seja: a redenção pela morte,
como libertadora da vida.
O cineasta João Botelho deu-nos uma encenação colorida e à maneira de realizador de cinema, o que agradou ao público.
PRÒXIMA ÓPERA: "O Chapéu de palha de Itália" de NINO ROTA(1011-1979) em Maio.
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