Tuesday, December 8, 2009

"O Crepúsculo dos Deuses" no Teatro Nac.de S.Carlos

Apesar de ao longo de precisamente 50 anos termos assistido a todas as Óperas cantadas em S.Carlos, (com raras excepções) "O Crepúsculo dos Deuses" agora cantado no Teatro de S.Carlos, foi das maiores e mais enaltecedoras produções , incluindo a última produção, a que assistimos no Festival de Bayreuth. Os cantores foram magníficos, superiores aos de Bayreuth, sobretudo o tenor que cantou o papel de Siegfred, um verdadeiro Helden tenor wagneriano, e o soprano dramático que incarnou a Brunhilde! Verdadeiros cantores wagnerianos.
Quanto à encenação, nunca até aqui eu tinha sentido, tão intensamente com uma compreensão profunda, da essência do libreto, em que, como todas as obras primas, retratam a natureza humana com os seus grandes defeitos, vícios e virtudes, contribuiu também a mudança radical do Teatro em que, no lugar da plateia, se construiu um palco/arena, sendo as cadeiras transferidas para o palco. O teatro brechtiano e épico que nos fez envolver na acção, atingindo-nos racionalmente e emocionalmente no nosso âmago! Graham Vick traz-nos o saber e a arte do melhor Teatro do mundo que é a escola inglesa. Contudo, teve o cuidado de não exigir demasiados trejeitos e posições que pudessem prejudicar a emissão de voz de um cantor lírico.
Como é possível haver "criticas" perversas à voz dos cantores por pessoas que não têm conhecimentos de técnica vocal e não trabalham em afinação musical? Só o desejo de deitar abaixo, de menosprezar uma obra de arte.

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